A nova ordem - O que a copa do mundo nos ensina sobre gestão

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Assim como tantos mundo afora, eu me considero um apaixonado por futebol. Desde moleque jogando, torcendo e acompanhando de perto este esporte mágico que carrega tantas histórias.

Só que hoje não escrevo para alardear a respeito da minha paixão pelo futebol, sequer escrevo para contar causos sobre o esporte bretão, pois para isso existem tantos outros mais sabidos e ainda mais apaixonados do que eu.

Escrevo, em verdade, a partir de algumas reflexões que esta Copa me trouxe e que tentarei explicitar nas próximas linhas...

Por cerca de um mês, de alguma forma, mudamos a nossa forma de trabalhar e conviver para encaixar os jogos da copa em nosso dia-a-dia. A Copa do Mundo acontecia e a nossa vida acontecia em paralelo. Talvez porque eu vivencie de forma tão intensa os mundos do empreendedorismo e da comunicação, tenha sido inevitável a associação entre o que se passava nos gramados russos com os gramados do mundo corporativo.

A Copa da Russia foi marcada, entre outros fatores, pela queda dos gigantes, a adoção de novas tecnologias e por ter uma das seleções mais jovens do torneio como vencedora.

Em um contexto onde 40% das empresas Fortune 500 deixarão de existir até 2025, os mundos do futebol e dos negócios compartilham de muitas semelhanças em suas mudanças:

1/ Tamanho não é documento

A Croácia, um dos menores países do mundo, chegou na final da copa, a exemplo de tantas startups pequenas que se tornaram protagonistas em seus mercados de atuação.

2/ Tradição não ganha jogo

As conquistas passadas não valem nada no tempo presente. 52% das empresas Fortune 500 dos anos 2000 não existem mais. Brasil, Alemanha e Itália possuem juntos 62% dos títulos mundiais e vejamos o desemprenho deles nesta copa.

3/ As convicções nos tornam lentos

Em tempos onde agilidade é expressão de ordem, profissionais e organizações presos a convicções passadas não conseguirão se mover rápido o suficiente para sobreviver.

A mudança fundamental necessária está na forma de encarar as coisas, nosso conjunto de valores, crenças e atitudes - o que denominamos de mindset. Muitos profissionais, e por consequência empresas, confundem mindset com cultura, e cultura com estratégia. Querem ser mais velozes, ágeis, focados nas pessoas, no entanto não mudam a forma de pensar e agir.

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As organizações do futuro são organizações vivas, adaptativas, descentralizadas e open source, trazem em seu DNA um conjunto de crenças e atitudes mais responsivos e inclusivos, como alguns observados durante a Copa da Russia 2018:

Colaboração = Jogar Junto

Nenhuma estrela brilha sozinha, o coletivo sempre prevalece. Cada escolha que fazemos impacta de forma positiva ou negativa em nosso ambiente, nosso nível de stress ou felicidade, nossos resultados de forma individual e coletiva.

Mente Aberta = Aceitar o novo

Mais tempo para ouvir do que para falar. Estar sempre disposto a ensinar, e ainda mais disposto a aprender.

Busca por excelência = trabalhar melhor não é trabalhar mais

Perseguir novas formas de fazer as coisas, mesmo aquelas mais corriqueiras. Não buscar ser melhor que o outro, buscar ser melhor que si mesmo, a cada dia.

Foco em resultados = atitude empreendedora

Ter atitude acima de tudo, empoderamento, autonomia, responsabilidade. Colocar sempre o melhor a disposição: do trabalho, das pessoas, de cada detalhe.

Ousadia = quebrar os paradigmas

Não ter medo de pensar grande, de propor algo que nunca tenha sido feito. O mundo dos negócios, assim como no futebol, precisa de novidades estratégicas e táticas, de mais ousadia em experimentar e testar novos formatos.

Raça = falhar, cair, levantar, aprender.

Entender que as dificuldades são desafios que nos deixarão cada vez melhores, enxergar as falhas como parte integrante do processo de aprendizado, evolução e geração de valor.

Formação de talentos = dar oportunidade

Dar espaço e oportunidade de crescimento independente de origem, gênero e geração. A seleção Francesa, por exemplo, era das mais jovens da copa e recheada de filhos de imigrantes. O modelo de gestão vencedor dá espaço e condições para o crescimento pessoal, estimulando a auto gestão, a colaboração e a co-criação.

Mudar crenças e atitudes é um exercício diário, demanda muita prática, esforço e disciplina. A nova ordem do futebol é na verdade a nova ordem da vida na era da transformação digital. Vamos praticar?


Fonte: Paulo Martinez
 

Marcia KolosComment