Will robots take my job?

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 Você perderá seu emprego para um robô? 

Professores da Universidade de Oxford, Michael Osborne e Carl Frey, avaliaram tarefas cotidianas de mais de 700 ocupações, para identificar o que uma máquina poderá fazer melhor que os humanos nas próximas duas décadas. Chegaram a um índice que varia entre 0 (nenhum risco de substituição) e 100% (risco total). Eles criaram o site willrobotstakemyjob.com que calcula quão suscetíveis à automação de cada trabalho.

As profissões mais ameaçadas estão nas áreas de logística, escritório e produção, aquelas que envolvem tarefas intelectualmente repetitivas. Embora o estudo seja baseado no mercado de trabalho dos Estados Unidos, suas conclusões são aplicáveis mundialmente.

Uma nova sociedade mundial está se delineando fortemente baseada na tecnologia da computação e Internet. Estas mudanças trarão impacto mais profundo que as demais ondas tecnológicas anteriores, como a revolução industrial. Além disso, sua amplitude e velocidade são únicas na história humana e muito provavelmente seus impactos sociais e econômicos serão duramente sentidos pela obsolescência rápida de muitas profissões.

Estamos ouvindo muito que a evolução exponencial da tecnologia vai substituir diversas funções exercidas por pessoas hoje. Tudo o que puder ser automatizado, será. O desafio é que esta mudança, por ser rápida e profunda, tem muitas chances de destruir empregos mais rapidamente que criar outros. Nas revoluções anteriores, funções que se tornaram obsoletas foram substituídas por outras, também executadas por pessoas, como  cocheiros por motoristas. Mas a automação vem, sucessivamente, eliminando trabalhos, e já vimos algumas funções desaparecerem por completo como ascensoristas, telefonistas, datilógrafos, etc.

O impacto de veículos autônomos, dos assistentes digitais, e o avanço da Inteligência Artificial (IA) e da robótica, agrupados, têm potencial exponencial de destruir mais empregos que criar outros. O efeito desta revolução será diferente nas diversas economias do mundo. Países com baixo nível educacional, fortemente ancorados em trabalhos de baixa qualificação têm possibilidades bem maiores de sofrer mais. Países com alto nível educacional conseguem gerar novas funções mais rapidamente, porque estas novas funções tenderão a exigir uma capacitação maior que a média atual.

Um subproduto desta revolução poderá ser o aumento da desigualdade econômica e social entre países e entre os habitantes de cada nação. Cada emprego rotineiro está na mira da automação, não mais apenas nas linhas de produção, mas em áreas como contabilidade, direito, atendimento aos clientes, etc. 

O desafio é que estas novas funções demandam um sistema educacional preparado para capacitar pessoas neste novo contexto. As novas funções são aquelas que requerem mais conhecimento e raciocínio cognitivo. Demandam criatividade e inovação. Uma escola tradicional, não incentiva estes aspectos. Ainda vemos muito do modelo do século 19, alunos sentados ouvindo um professor e fazendo anotações. Limita criatividade. Sim, este é um desafio: repensar o modelo educacional.

Outra questão, que mais cedo ou mais tarde vai surgir, é se o emprego como conhecemos hoje vai continuar existindo. As relações entre empresas e empregados continuará como hoje? A carga horária continuará sendo de 40 horas em turnos fixos, como definido, por necessidade, na sociedade industrial?

Com a automação, a necessidade de pessoas trabalhando em tempo integral para atender as demandas da sociedade diminuem substancialmente. Isso implica novas normas e práticas trabalhistas, novas relações entre empresa e pessoas, e vai afetar questões delicadas como aposentadorias e férias. Acredito que iremos caminhar na redefinição do conceito de trabalho e emprego.

Diante deste cenário transformador, muitos questionamentos aparecerão, como: Como será o novo RH? Como as empresas se adaptarão para sobreviver em um mundo novo e desconhecido? O atual modelo organizacional, hierárquico não mais atende a demanda de velocidade e transformações quase que cotidianas que o novo cenário exige. Novo modelo organizacional, surgem novas relações entre empresa e pessoas.

A tecnologia não é fim, mas meio para chegarmos a um novo modelo social e econômico. Se positivo ou negativo, vai depender de nós!

 

Marcia KolosComment